No final da tarde, você vai rezar pra quem?

No final da tarde, você vai rezar pra quem?

“Se o Brasil tá fod@, o bagulho é louco e o processo é lento… Faça as pazes com o vizinho.” Dividir para conquistar – é isso que eles fazem cada vez que precisam manter o mundo no lugar certo para o sistema seguir girando.

“Massa de manobra”. Quem nunca foi que atire a primeira pedra. E eles atiram. Atiraram pedras na Universidade de Brasília. Atiraram nas Madalenas que seguem morrendo por minuto no país. Naquelas que parem seus filhos e agora têm seis meses de licença-maternidade, apesar da garantia zero de que não serão mandadas embora assim que voltarem ao escritório. 

Faça as pazes com o vizinho. Uma das frases mais importantes a ser escutada neste momento. Povo dividido sai ferido. A eleição está aí, na nossa cara. E se a gente não estiver junto, vai para mais um segundo turno desastroso, pronto para o pior em branco, vermelho e estrelas brancas no fundo azul. 

Se é para a bandeira ficar vermelha, que seja com estrelas nacionais e não do país que tem assumidamente um projeto para desmantelar a América Latina. Não cabemos no quintal de ninguém. 

A Camaleônica, antes duo e agora trio, não cabe no último lugar da sua playlist. Não com esta faixa. Ela é curta, direto ao ponto, arrepia e dá a letra. Ouça no looping até internalizar. Porque faltam poucos dias para seu voto fazer valer seu coração. 

Mas serão muitos os dias definidos por essa decisão. Não se engane: a tríade não é apenas divina. Por muito tempo, o trítono foi proibido dentro das igrejas, impossível de ser feito nos órgãos celestiais, por se tratar do chamado diabolus in musica. Portanto, neste caso, nem o pai, nem o filho, nem o espírito (que de santo não tem nada). 

Esta é uma resenha musical, mas a vida é política. E não tem como separar uma coisa de outra quando o que está em risco é a nossa própria pele. 

Ouça a nova faixa do Camaleônica:

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Carol Tavares é jornalista. Passou pela MTV, pela Bandeirantes e a hiperatividade levou seu caminho a cruzar felizmente com o Jardim Elétrico e criar a produtora Jazz House. Apaixonada por música, pelo amor, por Alberto Caeiro e por seu acampamento no Jalapão.