Tinindo e Trincando – Um Tributo aos Novos Baianos

by Renata Luiz
Brasil profundo, Brasil intenso, Brasil não como nação, mas como sensação, sentimento, cor e som! E a Bahia, então? E os baianos, novos e antigos? E os novíssimos baianos que andam por todo o mundo, habitando-o como se não existissem mais fronteiras? Baiano não como relação geográfica entre alguém e o local onde nasceu, mas como forma singular de enxergar e de sincretizar o mundo inteiro.
O início disso, ou uma parte desse início, se deu a partir do encontro de jovens que sacudiram o mundo no final da década de 60 ao extrapolarem os limites estéticos impostos até então, misturando rock, samba, frevo, baião, afoxé, choro e tudo mais que lhes dessem na veneta. Entre eles estavam gente como Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Moraes Moreira. Os Novos Baianos foram não apenas um grupo musical, mas um fenômeno responsável por criticar e redesenhar os caminhos da música brasileira.
Décadas depois, a história continua, com novos nomes, novas posturas, novas vozes. Essa é intenção do tributo que temos o imenso prazer de apresentar e dar de presente para vocês: mostrar que as conexões continuam a ser feitas, celebrando o espírito daqueles que vieram anteriormente, mas também apontado novas possibilidades, novos horizontes. Este é o espírito de Tinindo e Trincando.
Idealizado pelo Jardim Elétrico e Co-realizado pelo site RockinPress, pela produtora Jazz House, e com masterização assinada por Eduardo Kusdra no Arte Master Home Studio. o presente tributo reúne nomes dos mais diversos estilos com o propósito de celebrar o tempo como um todo, o passado, o presente e o futuro, é uma união de gente que grita que ainda estamos vivos, que ainda há muito o que desbravar, que ainda existem caminhos a serem abertos em meio à selva conceitual e discursiva que nos envolve.
Já na identidade visual, criada por Thiago Rocha Ribeiro e João Tranquez, fica claro o respeito pela singularidade de cada participante através do design único de cada folha do ramo de pau-brasil, extraindo assim o uno no múltiplo em um exercício de relações conceituais que potencializam a experiência estética, levando-a para além do campo sonoro e desembocando num mar de possibilidades. Vozes com identidades próprias e que se complementam para criar o mapa de um lugar que, ao mesmo tempo em que é brasileiro e baiano, é universal.
Os Baianos continuam Novos até os dias de hoje, por isso: sim, somos todos baianos! (por Jocê Rodrigues)
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