
Disco, Exclusivo / 07 out 2026
Sofia Pitta celebra suas raízes em “Pureza Selvagem”
Alguns artistas encontram na mistura de ritmos uma maneira de ampliar suas possibilidades musicais. Sofia Pitta segue por esse caminho em Pureza Selvagem, seu álbum de estreia, no qual a MPB se encontra com o pop, o samba e as batidas que fazem parte da identidade musical da Bahia. Com uma voz potente e uma interpretação cheia de personalidade, a cantora apresenta um trabalho que carrega suas origens e revela sua vontade de experimentar novas sonoridades. O que chama atenção na escuta é a naturalidade com que Sofia percorre esses diferentes estilos. As referências aparecem de forma integrada, sem a sensação de que cada gênero precisa ocupar um espaço separado. Há momentos em que as batidas dançantes ganham protagonismo, enquanto em outros a voz e as melodias conduzem as canções por caminhos mais delicados. Essa movimentação dá ao álbum uma dinâmica interessante e permite conhecer diferentes nuances da artista. A presença da Bahia vai além dos ritmos. Está na energia das músicas e na liberdade com que Sofia aproxima sonoridades que fazem parte de sua formação. A MPB aparece como uma base importante para suas composições, mas não limita os caminhos que ela escolhe explorar. “Eu fiquei muito feliz de, nesse projeto, poder deixar muito claro aos meus ouvintes que minha raiz musical vem da MPB e que eu misturo muito com ritmos que são fortes na Bahia e que fazem parte da minha identidade artística”, conta a cantora. Em meio a essa diversidade sonora, o amor aparece como um dos principais assuntos do álbum. Sofia parte de suas próprias experiências para construir canções que abordam sentimentos, relações e diferentes maneiras de enxergar a vida. O interessante é perceber como essas histórias encontram espaço tanto nas músicas mais leves e dançantes quanto naquelas que apresentam uma atmosfera mais introspectiva. Para…

Exclusivo, Single / 30 set 2026
No final da tarde, você vai rezar pra quem?
“Se o Brasil tá fod@, o bagulho é louco e o processo é lento… Faça as pazes com o vizinho.” Dividir para conquistar – é isso que eles fazem cada vez que precisam manter o mundo no lugar certo para o sistema seguir girando. “Massa de manobra”. Quem nunca foi que atire a primeira pedra. E eles atiram. Atiraram pedras na Universidade de Brasília. Atiraram nas Madalenas que seguem morrendo por minuto no país. Naquelas que parem seus filhos e agora têm seis meses de licença-maternidade, apesar da garantia zero de que não serão mandadas embora assim que voltarem ao escritório. Faça as pazes com o vizinho. Uma das frases mais importantes a ser escutada neste momento. Povo dividido sai ferido. A eleição está aí, na nossa cara. E se a gente não estiver junto, vai para mais um segundo turno desastroso, pronto para o pior em branco, vermelho e estrelas brancas no fundo azul. Se é para a bandeira ficar vermelha, que seja com estrelas nacionais e não do país que tem assumidamente um projeto para desmantelar a América Latina. Não cabemos no quintal de ninguém. A Camaleônica, antes duo e agora trio, não cabe no último lugar da sua playlist. Não com esta faixa. Ela é curta, direto ao ponto, arrepia e dá a letra. Ouça no looping até internalizar. Porque faltam poucos dias para seu voto fazer valer seu coração. Mas serão muitos os dias definidos por essa decisão. Não se engane: a tríade não é apenas divina. Por muito tempo, o trítono foi proibido dentro das igrejas, impossível de ser feito nos órgãos celestiais, por se tratar do chamado diabolus in musica. Portanto, neste caso, nem o pai, nem o filho, nem o espírito (que de santo não tem nada). Esta é uma resenha musical, mas…

Disco, Exclusivo / 28 set 2026
“Travessia Vol.1”: Nara Couto entre raízes e encontros
Há discos que parecem nascer de uma pesquisa musical. Outros carregam a sensação de terem surgido de um encontro. Travessia Vol.1, de Nara Couto, pertence a esse segundo lugar. É um trabalho íntimo, espiritual e ousado, no qual a conexão entre a Bahia e a África lusófona deixa de ser apenas referência e se transforma em presença. A cantora baiana constrói uma ponte entre territórios que compartilham histórias, afetos e uma memória que continua viva na música. Talvez por isso o disco tenha uma profundidade tão particular. Há algo nele que parece ir além das próprias canções. Nara traduz essa sensação de uma maneira bonita: “Fiz a travessia para lugares que quando cheguei eu já existia, porque têm lugares que a gente não conhece, a gente reconhece.” É justamente esse reconhecimento que atravessa a escuta. Travessia Vol.1 não procura simplesmente colocar sonoridades brasileiras e africanas lado a lado. Há troca e criação conjunta. Artistas como Mû Mbana, da Guiné-Bissau, Kady e Zidi Andrade, de Cabo Verde, e o brasileiro Tiganá Santana fazem parte desse encontro. E isso muda a maneira como o disco soa. Tudo parece muito próximo, vivo e natural. “Laço Ancestral” já entrega um pouco dessa sensação. A música tem uma força que não precisa de excessos para chegar. As vozes de Nara e Mû Mbana se encontram de um jeito bonito, enquanto a sonoridade cria uma atmosfera quase hipnótica. É uma daquelas músicas que fazem a gente diminuir o ritmo e simplesmente ouvir. Essa sensação permanece ao longo do álbum. A música de Nara parece chegar mais profunda aqui. Existe uma dimensão espiritual nas canções, mas também muita humanidade. A ancestralidade não aparece como algo distante ou preso ao passado. Ela está viva, atravessa gerações e continua encontrando novas maneiras de existir. Também é um disco difícil…

Artigo, Exclusivo / 04 ago 2026
Você sabe o que é uma partitura corporal?
A primeira vez que ouvi a Sarahysha, tive uma sensação mântrica. Senti que não estava ouvindo a música em si, mas participando de uma experiência. Então, conversando com ela – um papo que foi de estratégia musical a Gilgamesh – eu tive a certeza de que transcendia a música em si. É um som segmentado, não se assemelha a canções de rádio. Ele é feito para viver um momento e não para tocar em massa. É algo mais pessoal, mais individual, para se fazer em contato com a própria alma. E aí ela me contou que é uma música física, mesmo. Antes de virar melodia, suas faixas podem ser um aperto no peito, uma batucada nas pernas, uma dança. Podem começar em uma respiração diferente, em um movimento que se repete sem explicação ou em uma sensação que ainda não encontrou palavras. Às vezes, o corpo parece entender a música antes mesmo de os ouvidos conseguirem escutá-la. É nesse território que Sarahysha cria. Cantora, compositora, performer e pesquisadora brasileira radicada no Benin, ela trabalha com o conceito de partitura corporal: uma forma de composição em que o corpo não aparece apenas como instrumento de interpretação, mas participa ativamente da escrita da música. Em Spiritual Biatch! – Corpo, Memória e Resiliência, Sarahysha transforma respiração, gesto, voz, improvisação e sensações físicas em matéria sonora. O projeto transita pelo afro-jazz, pelo spiritual jazz, pela psicodelia africana diaspórica e por ritmos conectados às culturas afro-brasileiras e da África Ocidental. Mas talvez seja melhor não tentar colocar tudo dentro de um gênero. A música de Sarahysha parece existir justamente no espaço em que os nomes já não são suficientes. Afinal, o que é uma partitura corporal? Quando pensamos em partitura, imaginamos notas, pausas, compassos e outros sinais registrados sobre o papel. A partitura organiza a…

Exclusivo, Nota / 09 jun 2026
WME 2026 celebra 10 anos fortalecendo mulheres na música
O Women’s Music Event (WME), principal conferência voltada ao protagonismo feminino na música no Brasil, chega em 2026 celebrando seus 10 anos. Entre os dias 18 e 21 de junho, São Paulo recebe mais uma edição desse encontro que se tornou um dos espaços mais importantes para discutir, fortalecer e conectar mulheres dentro da indústria musical. Além da conferência, o WME também realiza a única premiação brasileira dedicada exclusivamente às mulheres da música. Por isso, o projeto ocupa hoje um lugar muito importante dentro do cenário cultural e artístico do país. Ao longo dessa trajetória, o evento se transformou em um espaço de troca muito real entre artistas, produtoras, jornalistas, executivas, DJs, compositoras e profissionais que fazem a música acontecer todos os dias. Além disso, o WME segue criando oportunidades para novas artistas e profissionais que desejam crescer dentro do mercado musical. Uma programação espalhada pelo centro de São Paulo A edição de 2026 acontece em espaços importantes do centro de São Paulo, como a Biblioteca Mário de Andrade e a Praça Dom José Gaspar. Além disso, a abertura oficial acontece na Heavy House, no dia 18 de junho. Durante os quatro dias de programação, o público poderá acompanhar painéis, oficinas, audições, encontros e shows. Ao mesmo tempo, os debates passam por temas importantes da indústria musical atual, como mercado independente, festivais, funk, rock, audiovisual, políticas públicas, composição e liberdade criativa. Entre os nomes confirmados estão Tiê, Karol Conká, Fernanda Takai, Linn da Quebrada, Marina Person, Roberta Martinelli, Lei Di Dai, Luiza Brina, Iara Rennó, The Mönic e Stefanie. Além disso, o tradicional Pitch WME retorna em 2026. A iniciativa abre espaço para novos artistas apresentarem seus trabalhos para profissionais da indústria. Dessa forma, o projeto cria oportunidades e conexões importantes dentro do mercado musical. Festa de encerramento gratuita Para…
Videoclipes
DUPLA 02 E JUP DO BAIRRO | FAMOZIN
A DUPLA 02 e Jup do Bairro apresenta “Famozin”, canção pop que aborda a fama com uma abordagem lúdica e divertida. Logo quando os primeiros acordes ecoam, é inevitável não...




























