
Artigo, Exclusivo / 04 ago 2026
Você sabe o que é uma partitura corporal?
A primeira vez que ouvi a Sarahysha, tive uma sensação mântrica. Senti que não estava ouvindo a música em si, mas participando de uma experiência. Então, conversando com ela – um papo que foi de estratégia musical a Gilgamesh – eu tive a certeza de que transcendia a música em si. É um som segmentado, não se assemelha a canções de rádio. Ele é feito para viver um momento e não para tocar em massa. É algo mais pessoal, mais individual, para se fazer em contato com a própria alma. E aí ela me contou que é uma música física, mesmo. Antes de virar melodia, suas faixas podem ser um aperto no peito, uma batucada nas pernas, uma dança. Podem começar em uma respiração diferente, em um movimento que se repete sem explicação ou em uma sensação que ainda não encontrou palavras. Às vezes, o corpo parece entender a música antes mesmo de os ouvidos conseguirem escutá-la. É nesse território que Sarahysha cria. Cantora, compositora, performer e pesquisadora brasileira radicada no Benin, ela trabalha com o conceito de partitura corporal: uma forma de composição em que o corpo não aparece apenas como instrumento de interpretação, mas participa ativamente da escrita da música. Em Spiritual Biatch! – Corpo, Memória e Resiliência, Sarahysha transforma respiração, gesto, voz, improvisação e sensações físicas em matéria sonora. O projeto transita pelo afro-jazz, pelo spiritual jazz, pela psicodelia africana diaspórica e por ritmos conectados às culturas afro-brasileiras e da África Ocidental. Mas talvez seja melhor não tentar colocar tudo dentro de um gênero. A música de Sarahysha parece existir justamente no espaço em que os nomes já não são suficientes. Afinal, o que é uma partitura corporal? Quando pensamos em partitura, imaginamos notas, pausas, compassos e outros sinais registrados sobre o papel. A partitura organiza a…

Exclusivo, Nota / 09 jun 2026
WME 2026 celebra 10 anos fortalecendo mulheres na música
O Women’s Music Event (WME), principal conferência voltada ao protagonismo feminino na música no Brasil, chega em 2026 celebrando seus 10 anos. Entre os dias 18 e 21 de junho, São Paulo recebe mais uma edição desse encontro que se tornou um dos espaços mais importantes para discutir, fortalecer e conectar mulheres dentro da indústria musical. Além da conferência, o WME também realiza a única premiação brasileira dedicada exclusivamente às mulheres da música. Por isso, o projeto ocupa hoje um lugar muito importante dentro do cenário cultural e artístico do país. Ao longo dessa trajetória, o evento se transformou em um espaço de troca muito real entre artistas, produtoras, jornalistas, executivas, DJs, compositoras e profissionais que fazem a música acontecer todos os dias. Além disso, o WME segue criando oportunidades para novas artistas e profissionais que desejam crescer dentro do mercado musical. Uma programação espalhada pelo centro de São Paulo A edição de 2026 acontece em espaços importantes do centro de São Paulo, como a Biblioteca Mário de Andrade e a Praça Dom José Gaspar. Além disso, a abertura oficial acontece na Heavy House, no dia 18 de junho. Durante os quatro dias de programação, o público poderá acompanhar painéis, oficinas, audições, encontros e shows. Ao mesmo tempo, os debates passam por temas importantes da indústria musical atual, como mercado independente, festivais, funk, rock, audiovisual, políticas públicas, composição e liberdade criativa. Entre os nomes confirmados estão Tiê, Karol Conká, Fernanda Takai, Linn da Quebrada, Marina Person, Roberta Martinelli, Lei Di Dai, Luiza Brina, Iara Rennó, The Mönic e Stefanie. Além disso, o tradicional Pitch WME retorna em 2026. A iniciativa abre espaço para novos artistas apresentarem seus trabalhos para profissionais da indústria. Dessa forma, o projeto cria oportunidades e conexões importantes dentro do mercado musical. Festa de encerramento gratuita Para…

Exclusivo, Lançamento / 09 abr 2026
Lua Fernandes lança “Deságua” e transforma vivência em música
Tem artista que estreia com música.Lua Fernandes estreia com encontro. “Deságua” não soa como um começo solitário, soa como uma construção coletiva, dessas que carregam histórias cruzadas, afetos e caminhos que se encontram no momento certo. E isso aparece na música com uma naturalidade rara. A faixa respira junto.Não existe protagonismo isolado, existe troca. A presença de Thamires Tannous e Gefe Lima não entra como parti cipação decorativa, mas como parte essencial da textura da canção. O tambor conduz, as vozes se entrelaçam, e tudo parece nascer do mesmo lugar, uma escuta profunda. “Deságua” tem corpo, tem chão e tem coletivo.É música que entende que ninguém cria sozinho. A trajetória da Lua, atravessando o Brasil, absorvendo territórios, vivências e espiritualidades, encontra aqui outras presenças que ampliam esse universo. O resultado não é soma, é mistura. E mistura no melhor sentido, quando não dá mais pra separar o que veio de quem. A canção fala de fluxo, de pertencimento, de ser parte de algo maior. E talvez por isso funcione tão bem como obra compartilhada, porque a própria ideia de desaguar já implica encontro. Não é sobre uma voz.É sobre o que acontece quando várias se permitem existir juntas. “Deságua” não tenta se impor.Ela acontece. E quando acontece, você sente. OUÇA:

Exclusivo / 06 jan 2026
Hora do Sabbat abre espaço para novas vozes em 2026
A Hora do Sabbat abre inscrições para o Edital 2026. Ativo desde 2018, o projeto amplia seus chamados e passa a receber propostas não só para o blog, mas também para conteúdos em áudio e criação para redes sociais. Criada por Sarah Mascarenhas, a Hora do Sabbat nasceu no rádio e, com o tempo, virou um espaço vivo de texto, escuta e circulação de ideias. Um projeto que cresce sem perder o cuidado, a escuta e o compromisso com vozes femininas diversas. Fui colunista em 2025 e posso dizer com tranquilidade: é uma experiência rara. Um lugar onde a criação é respeitada, onde existe diálogo real e onde o processo importa tanto quanto o resultado. Escrever para a Hora do Sabbat é fazer parte de algo maior, sem perder a própria voz. Para 2026, o edital seleciona: – colunistas para o blog– criadoras para conteúdos em áudio– criadoras de conteúdo para o Instagram As inscrições vão até 5 de fevereiro de 2026. Mulheres que já participaram podem se inscrever novamente. A nova temporada estreia em março de 2026. Serviço🗓️ Inscrições: 5/01 a 5/02/2026🔗 Edital e inscrições: https://rede.florestaativista.org/oportunidade/544/📲 Instagram: https://www.instagram.com/horadosabbat🌐 Site: https://horadosabbat.com.br Se você escreve, fala, cria, e procura um espaço honesto, esse edital é um bom começo.

Exclusivo, Lançamento / 25 nov 2025
“Xangô Alapalá”, de Zeferina e Mateus Aleluia
Uma canção que não se ouve, se atravessa. Existem músicas que chegam como lembrança e outras como aviso, mas “Xangô Alapalá” chega como presença. Desde os primeiros versos, Zeferina e Mateus Aleluia constroem algo que não soa como uma simples colaboração, e sim como um encontro necessário, quase um ritual. A faixa tem essa energia de quem nasce com destino próprio, guiada por forças que antecedem qualquer estúdio ou arranjo. Zeferina canta com um tipo de entrega que mistura urbano, espiritual e ferida curada, como quem já conversou com dores antigas até elas virarem caminho. A voz de Mateus Aleluia vem como memória acesa, quase uma entidade que narra o que viu e o que ainda vê. Os dois se reconhecem no canto. Há uma firmeza suave ali, uma troca natural entre gerações que entendem a música como território de verdade. Musicalmente, a faixa caminha entre transe e contemplação. Os sopros, a percussão, as texturas eletrônicas criam uma atmosfera em que o sagrado não aparece como algo distante. Ele é respirável, cotidiano, íntimo. É uma música que parece tocar o chão com os pés antes de se elevar. Cada elemento soa como parte de um corpo maior, alinhado com a proposta de cantar o que não se explica. A letra amplia esse sentimento. Não é apenas louvor. É narrativa, memória, justiça. O encontro com Xangô é apresentado como visão e como caminho. A pedreira, a cachoeira, o machado alado, tudo funciona como símbolo vivo de um orixá que vê, sente e corrige. Quando surgem os versos que falam do sangue derramado pela injustiça, o impacto é direto. Não é passado distante, é eco. A viagem final por Kioko, Agê, Daomé, Benin e Oyó costura temporalidades, lembrando que a ancestralidade não está atrás, mas ao lado. E é impossível ouvir essa…
Videoclipes
DUPLA 02 E JUP DO BAIRRO | FAMOZIN
A DUPLA 02 e Jup do Bairro apresenta “Famozin”, canção pop que aborda a fama com uma abordagem lúdica e divertida. Logo quando os primeiros acordes ecoam, é inevitável não...




























