Sofia Pitta celebra suas raízes em “Pureza Selvagem”

by Renata Luiz
Alguns artistas encontram na mistura de ritmos uma maneira de ampliar suas possibilidades musicais. Sofia Pitta segue por esse caminho em Pureza Selvagem, seu álbum de estreia, no qual a MPB se encontra com o pop, o samba e as batidas que fazem parte da identidade musical da Bahia. Com uma voz potente e uma interpretação cheia de personalidade, a cantora apresenta um trabalho que carrega suas origens e revela sua vontade de experimentar novas sonoridades.
O que chama atenção na escuta é a naturalidade com que Sofia percorre esses diferentes estilos. As referências aparecem de forma integrada, sem a sensação de que cada gênero precisa ocupar um espaço separado. Há momentos em que as batidas dançantes ganham protagonismo, enquanto em outros a voz e as melodias conduzem as canções por caminhos mais delicados. Essa movimentação dá ao álbum uma dinâmica interessante e permite conhecer diferentes nuances da artista.
A presença da Bahia vai além dos ritmos. Está na energia das músicas e na liberdade com que Sofia aproxima sonoridades que fazem parte de sua formação. A MPB aparece como uma base importante para suas composições, mas não limita os caminhos que ela escolhe explorar.
“Eu fiquei muito feliz de, nesse projeto, poder deixar muito claro aos meus ouvintes que minha raiz musical vem da MPB e que eu misturo muito com ritmos que são fortes na Bahia e que fazem parte da minha identidade artística”, conta a cantora.
Em meio a essa diversidade sonora, o amor aparece como um dos principais assuntos do álbum. Sofia parte de suas próprias experiências para construir canções que abordam sentimentos, relações e diferentes maneiras de enxergar a vida. O interessante é perceber como essas histórias encontram espaço tanto nas músicas mais leves e dançantes quanto naquelas que apresentam uma atmosfera mais introspectiva.
Para a artista, falar de amor também significa afirmar sua perspectiva sobre o mundo. “Eu acredito que falar de amor é um ato político. Sendo uma mulher do território que eu sou, com a história que eu tenho, contar histórias sobre o amor a partir do meu olhar é muito importante”, explica.
Essa intenção ganha força quando pensamos na importância de mulheres ocuparem espaço na música brasileira para contar suas próprias histórias, sem precisar seguir uma fórmula ou limitar suas experiências a um único tipo de narrativa. Sofia encontra na composição uma maneira de compartilhar sua vivência e transformar sentimentos pessoais em canções que também podem dialogar com as experiências de quem as escuta.
O título Pureza Selvagem desperta curiosidade por reunir duas palavras que parecem apontar para direções diferentes. Ao longo do álbum, essa ideia se aproxima da maneira como Sofia trabalha suas emoções. A delicadeza não exclui a intensidade, assim como uma música dançante pode carregar sentimentos profundos. São características que convivem dentro do mesmo repertório e ajudam a revelar diferentes aspectos de sua personalidade artística.
Há ainda uma atmosfera solar que percorre o projeto, presente tanto na música quanto na proposta visual que acompanha as canções. Mesmo quando os sentimentos se tornam mais melancólicos, Sofia preserva uma sensação de calor e movimento, sem transformar essas passagens em momentos excessivamente sombrios.
Com Pureza Selvagem, Sofia Pitta apresenta um primeiro álbum que desperta interesse pela maneira como reúne suas referências e experiências pessoais. Sua voz ganha destaque nesse encontro de sonoridades, enquanto as composições revelam uma artista que encontra na própria história matéria-prima para sua música.
Entre momentos de delicadeza e intensidade, apresenta um trabalho que convida a descobrir sua identidade musical sem pressa de defini-la. Um álbum que carrega a musicalidade de suas raízes baianas e abre espaço para diferentes formas de sentir, experimentar e se expressar.
OUÇA:
Recommended Posts

No final da tarde, você vai rezar pra quem?
setembro 30, 2026

“Travessia Vol.1”: Nara Couto entre raízes e encontros
setembro 28, 2026

Você sabe o que é uma partitura corporal?
agosto 04, 2026


