Exclusivo: Rafael Dutra – Oásis de Vidro

by Renata Luiz
Permitam-me, aqui, utilizar o termo “escala de Mohs musical” (em analogia à escala de dureza de minerais) para definir o que é apresentado pelo jovem de 26 anos em seu primeiro trabalho, intitulado “Oásis de Vidro”. Rafael utiliza de artifícios pesados e leves para construir seu trabalho, duros e macios, ásperos e suaves. E, no fim, usa de todos esses mecanismos para formar um conglomerado extremamente agradável aos ouvidos. Mas, com muita destreza, não deixa que um som mais pesado “risque” o outro – como ocorre com os minerais -, transformando tudo em uma joia formidável.
O brasiliense, que hoje reside em Minas Gerais, não deixa a desejar, pois “molda um universo” sonoro em suas composições. A impressão que já é dada nos primeiros segundos de audição do disco é a de que os quase 40 minutos serão de surpresas. É o que acontece ao perceber que o disco traz referências diversas. Apesar de apresentar um pouco de cada estilo na maioria das canções, Rafael passa pelo rock, brinca com a MPB, ginga com um funk/soul (acompanhado de Sérgio Pererê) e desagua num experimental leve.
Além da voz marcante de Sérgio Pererê em “O Leviatã”, também participa a sereníssima Irene Bertachini em “Já passa da hora”, uma DR muito suave quando misturada à voz também macia de Rafael.
O que Rafael Dutra quer fazer é, sem dúvidas, proporcionar aos seus ouvintes uma amálgama de sensações.“Oásis de Vidro” é um plano deliciosamente maligno para fazer com que o público bata os pés no chão, flutue, balance a cabeça ou também as cadeiras, e – talvez – pode ser tudo isso junto também.
As composições têm cheiro, toque, som, gosto, imagens… Proporcionados pelos instrumentos, pela poeticidade das letras e pelo suntuoso controle de voz do artista.
Ouvir Rafael Dutra é uma verdadeira viagem pelo fabuloso mundo da sinestesia.
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