Neste Dia da Mulher, olhe para frente

*Foto: Catarina Martins Tenório
Minha avó tocava sanfona. Ela era a única mulher do grupo de trovadores do pai, que acompanhava no violão. Ela cantava também. Casou-se e parou – porque lugar de mulher era em casa, cuidando dos seis filhos e ajudando o marido a manter a família.
Minha mãe fazia teatro na época da ditadura, escondida dos militares e do meu avô. Aquilo não era coisa de “moça”. Logo, ela se adequou aos estereótipos. Casou-se aos 23 (porém, de gravata e suspensório!). Parou de trabalhar quatro anos depois para cuidar de mim e do meu irmão. Mas deu tempo! Separou-se, voltou para o mercado de trabalho e pratica o auto-sustento.
Nunca abri mão dos meus sonhos por homens. Aprendi logo que eu não precisava usar calça jeans, sutiã e unha feita o tempo todo. Não precisava me sentir sufocada por ser o que eu não sou. Mas abri mão de mim mesma algumas vezes, por andar olhando para o chão.
Aprendi, hoje, que não é assim que se faz. Quando olho as notícias e as pessoas em volta, fico extremamente orgulhosa de ver as mulheres (às vezes mais novas que eu) lutando com tanta veemência pelo empoderamento – delas, meu, seu. Elas lutam pela gente e merecem sua atenção e respeito. Conheça algumas. :]
Mayra Maldjian
Ela é jornalista e tem uma juba enorme e maravilhosa. Focada em música desde sempre, assessorou nomes como Kamau e EMICIDA quando eles não eram conhecidos. Ela me apresentou Amy Winehouse e não preciso dizer mais nada. DJ, hoje ela é idealizadora do projeto Rimas & Melodias, que reúnes as minas mais fodas do rap mandando um som e o recado palcos afora.
Nina Oliveira
Estudante, linda, negra, um vozeirão da porra. “Dandara” foi a primeira música que ouvi dela e arrepiei, chorei. Mas foi quando a conheci, doce na tato, forte e intensa na causa, que entendi. Nina canta a dor de ser mulher da forma mais cruel que poderia: narrando experiências tristes e rotineiras. Ela declama poesias que deixam todo mundo engolindo seco na plateia, para depois entrar com músicas como esta aqui.
Camila Garófalo
Quando vi Camila abrir a boca pela primeira vez, num sarau da Jazz House, abri a boca junto – embasbacada. Que voz era aquela? Que força! Eu sabia que ouviria muito sobre ela nos próximos dias e foi o que aconteceu. Ela fundou o Sêla, um selo musical só para as minas mais fodas que você já ouviu falar. Promoveu, na unha, um festival incrível de música e debate só com mulheres (estivemos lá e logo tem mais aqui sobre como foi) e segue atingindo mais e mais pessoas com o tema. Conheça aqui.
Neste Dia da Mulher, plante ideias, erga a cabeça para andar na rua e não aceite o mínimo que você merece. Busque o máximo! Aceite respeito e igualdade. Não use sutiã – ou use, se isso te faz sentir bem. Aproveita para contar outras mulheres que fazem trabalhos como esses. Queremos saber!
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